quarta-feira, 20 de julho de 2016

O QUE ESTAMOS FAZENDO DO NOSSO MINISTÉRIO?

Um pastor, companheiro meu nas lides do Eterno, externou o seu sentimento dizendo para mim que não conseguia enxergar sucesso na vida de pastores sérios, coerentes, os que lutam pela justiça e verdade. Logo após esta sua afirmação, eu o interrompi perguntando-lhe: «Por que você pensa assim? Você sabe que a Bíblia diz que a verdade sempre prevalece»! Para minha surpresa, ele, com alteração de voz, disse: «Eu não creio mais assim, meu amigo! Pois vejo que o que prevalece, hoje, é a manipulação, a mentira, a injustiça, a incoerência, a superficialidade, a aparência ... é isso que é aceito e acolhido pelo povo». 

O que este pastor está dizendo tem muito a ver com o mundo real de centenas de líderes evangélicos. Desde que foi implantado o evangelho triunfalista no Brasil, baseado em confissões positivas, explorando o imediatismo como forma de solução para todos os problemas humanos, centenas de pastores sérios estão à beira de um ataque de nervos, por não conseguirem viver este padrão ilegítimo e inconsistente de mensagens que insistem nas aplicações morais e espirituais.

Pastores sérios e comprometidos com Deus não conseguem fazer a passagem da retidão para a conveniência, a contingencialidade. Causa dor na alma ter que abrir mão de valores espirituais para dar lugar ao trivial, superficial, aparente, momentâneo, circunstancial. Isso, acima de tudo, é vergonhoso.

É melhor continuar a acreditar nas intervenções divinas e nas possibilidades de uma reviravolta de Deus na história das igrejas brasileiras.

De tanto se vender um evangelho facilitador para as pessoas, foi criado um código ético de conduta paralelo aos ensinos bíblicos. A mais valia do lado do triunfalismo é você demonstrar prosperidade financeira, ausência de sofrimento, e ter um plantel de respostas divinas para os problemas. Se isto for mostrado por você, sua vida vai muito bem.

A verdade de tudo isso segue três pressupostos que fazem o caminho inverso do que foi ensinado por Jesus no Novo Testamento. O primeiro pressuposto é a pessoa imaginar o Eterno como o resolvedor-mor de todos os problemas humanos. Um tipo de «shazan» circunstancial, ou um «deus» que está à nossa disposição para o que der e vier. Evidentemente, que falando assim não estou querendo esvaziar o sentido que tem a ver com as intervenções do Eterno na história, que são manifestações legítimas da sua previdência e providência. Estou falando dessa liquidação evangélica sem fim onde Deus passa a ser visto como objeto de consumo.

O lado utilitário do triunfalismo é o mais nocivo de todos: Deus é configurado a partir de uma noção monstruosamente mercantilista, a qual subordina tudo ao interesse, ao lucro, ao ganho; é a presença da ideia de um «deus quebra-galho».

O segundo pressuposto é o que vê o sucesso pelo viés publicitário. A Bíblia é um livro totalmente diferenciado neste particular. Os ensinos de Jesus quanto ao sucesso trazem uma configuração que vai na contramão do senso comum. Segundo os ensinamentos do Filho de Deus, o sucesso advém de um caminho que beira ao paradoxo. De acordo com Jesus, a bem-aventurança acontece na vida de um discípulo, através de um contexto de injúria, difamação, calúnia e perseguição. Aliás, conforme nos informa a bíblia, feliz é aquele que experimenta tais aflições e sofrimentos no seu espaço existencial. Isto quer dizer que Jesus, segundo os evangelhos, e os apóstolos, conforme as epístolas, veem o sofrimento não como fraqueza ou derrota, mas algo que nos leva a estádios mais elevados e nos torna mais humanos:

«... e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência [resistência], e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado». (Romanos 5:2-5)

O terceiro pressuposto é aquele que me faz negar o tempo todo a dor, o sofrimento, a calamidade, a tragédia ... Estas negativas que me empurram contra a parede me faz viver entre o pêndulo do verdadeiro e o falso, da personagem e a pessoa, do real e o imaginário. Estas negativas que nos forçam a aprender, torna-nos esquizofrênicos, cindidos, partidos psiquicamente. Mas Deus não nos obriga a fazer tal coisa como teste de resistência. Isso é fanatismo monstruoso e da pior espécie.

Hoje, para você ser o que você é, precisa de toda força que puder reunir. Em contrapartida, as pessoas ficam querendo unção, unção, unção, mas nem mesmo sabendo o que significa e a sua aplicação à vida.

Segundo a Bíblia, o HOMEM UNGIDO não é aquele que está cheio de poder e pronto para feitos portentosos. Absolutamente. O HOMEM UNGIDO, ao contrário, é aquele que, mesmo em meio às duras pressões, provações e assédios para forçá-lo a deixar cair o seu padrão ético e o seu conteúdo doutrinário, escolhe permanecer naquilo em que foi ensinado. «E a UNÇÃO que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua UNÇÃO vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis». (1 João 2:27)

Precisamos, com urgência, de HOMENS UNGIDOS que não se vendam ao modismo, ao contingencial, ao imediatismo, ao senso comum, ao "faça fácil" ou ao "mais fácil", mas, pela unção que receberam de Deus, sejam honestos, firmes, verdadeiros, e que não se curvem aos apelos do tempo presente, mesmo que isso lhes custe vida de sacrifício e de aperto, pois assim viveram e vivem os homens de Deus, os profetas. 


REV. PAULO CESAR LIMA  

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